Sobre Espiritismo    
Claudio C. Conti    



Textos 2008
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Cientistas e Ciência

Várias Faces dos Vícios

Clonagem

Centro Pequeno ou
Grande?

O Tríplice Aspecto

A Humanidade e a
Religião

Espiritismo e Jung

GEDE

Quando Nos Desviamos
da Lei de Deus...

A Busca no Espiritismo

Justiça e Injustiça

Dúvida

A AVentura da Existência

Espiritismo é Religião?

Algumas Considerções

O Perdão

Os Caminhos do Espiritismo

Espiritismo e nós

CIENTISTAS E CIÊNCIA


21/02/2008

Uma edição especial da revista Scientific American Brasil, sobre a Teoria da Relatividade, traz uma citação muito interessante de Albert Einstein. Disse ele:

Algo que aprendi em uma longa vida é que toda nossa ciência, comparada à realidade, é primitiva e infantil, mas, ainda assim, é a coisa mais preciosa que temos.

Esta citação demonstra uma grande clareza por parte de uma das maiores mentes que já habitou este planeta.

Analisando sob uma ótica espírita, com toda a informação trazida pelos espíritos dedicados à divulgação de informação, é possível imaginar que, realmente, o conhecimento humano ainda ensaia os primeiros passos. Em vista disto, é importante que sirva de alerta aos espíritas que, ainda que bem intencionados, crêem ser necessário uma "atualização" da Doutrina Espírita em face da evolução dos conceitos científicos.

Um ponto interessante é que uma grande parcela dos cientistas atuais ainda mantém um pensamento antiquado, isto é, não compartilham do novo paradigma que inclui a própria Teoria da Relatividade e os conceitos da Física Quântica na nova visão do mundo.

Devido à esta dificuldade de entendimento, ainda permanecemos nas "trevas" do Iluminismo ortodoxo, onde a razão é aplicada com muito pouca razão, deturpando os conceitos de moral, fé e religosidade.

É preciso estar ciente que não basta ler, é preciso estudar para compreender os ensinamentos trazidos.

Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo. - O Espírito de Verdade





VÁRIAS FACES DOS VÍCIOS


01/03/2008

Uma reportagem do jornal O GLOBO ONLINE de 01/03/08 chama a atenção por ser um tanto quanto inusitada. Segundo a citada reportagem, intitulada “Harry Potter é tão viciante quanto drogas, diz estudo”, os jovens vêm experimentando “sintomas de abstinência”, tais como depressão e perda de apetite. Tudo isto depois de anunciado que a série de livros sobre o pequeno bruxo havia terminado.

Este fato deve servir de alarme sobre o relacionamento da humanidade, e não apenas dos jovens, com a realidade. Percebe-se uma tendência geral para o afastamento das necessidades da vida, dando ensejo para que os maiores desregramentos e insanidades ocorram.

Processos semelhantes são facilmente observáveis com os modismos atuais em que, como exemplo, uma simples caminhada de uma figura pública qualquer é motivo para assunto de jornais e revistas.

A fuga da realidade, decorrente do não enfrentamento do seu eu, segundo Joanna de Ângelis, faz com que o indivíduo elabore processos de escape como forma de manter o autodomínio.

Devemos estar cientes e atentos para não sermos vítimas de tais comportamentos escapistas. Uma forma de evitar é ocupar a mente com assuntos saudáveis e que contribuam para o processo evolutivo além, é óbvio, de trabalho edificante.

Quanto aos jovens, ainda suscetíveis a influência externa, é preciso fornecer uma base sólida de moral e comportamento adequados para que tenham condições de chegar a maturidade desfrutando da sanidade mental e física.





CLONAGEM


17/03/2008

Grandes questões como a doação de órgãos, inseminação artificial que ficou conhecido como “bebê de proveta” e a “barriga de aluguel” sempre geraram discussões e ponderações. Pessoas do mundo inteiro refletem sobre o assunto; os profissionais do ramo e dirigentes tanto políticos quanto religiosos, ponderam sobre questões éticas. Nos últimos anos, o que está muito em moda é a clonagem.

Um ponto importante de ter em mente, quando o assunto gira em torno de genética, é que toda manipulação ocorre na matéria, nunca no espírito. As transformações que ocorrem no espírito, isto é, o aprimoramento mental, são unicamente devido ao seu processo evolutivo.

Os Espíritos nos informam que o homem é composto de 3 partes principais: o corpo físico, o perispírito e o espírito. Portanto, para um óvulo se desenvolver a um embrião e este a um corpo próprio para o nascimento,será necessário a presença do espírito reencarnante durante o processo.

André Luiz, no livro Missionários da Luz, nos informa sobre os cuidados necessários quando da fecundação de um óvulo para suprir as necessidades de um espírito específico seguindo uma programação prévia.

Contudo, a reencarnação é assunto sério e tratado por espíritos num grau evolutivo compatível com o trabalho. No caso da fecundação “in vitro”, quando muitos embriões serão congelados os descartados, deve-se considerar que nenhum espírito estaria designado para uma encarnação que não irá ocorrer.

Quanto aos exageros dos homens, ficamos com as palavras de Joanna de Ângelis, no livro Dias Gloriosos, com referência a tentativa de eugenia ocorrida durante a Segunda Grande Guerra: “ficando a lição severa de que a loucura, por mais duradoura, termina sempre ceifando a vida daquele mesmo que lhe concede espaço para vicejar”.





CENTRO PEQUENO OU GRANDE?


28/03/2008

Qual seria a melhor opção para um Centro Espírita? Ser grande ou pequeno?

Não existe uma resposta direta para esta questão. Sob um ponto de vista seria melhor um centro grande, porém, um centro pequeno também tem muitas vantagens.

Existe um número crescente de pessoas que buscam os templos religiosos, dentre eles os Centros Espíritas, principalmente nas grandes cidades. Surge, então, a necessidade de acolher a todos, propiciando condições adequadas para que possam receber a informação doutrinária.

Um centro grande comportaria uma grande quantidade de pessoas. Desta forma, em uma palestra apenas, centenas de espíritos encarnados estariam sendo atendidos. Contudo, não seria possível a dedicação, acolhimento e atenção individual para cada um que aporte, meta muito mais fácil de ser atingida em um centro pequeno, porém apenas um grupo reduzido de pessoas seriam atendidas em cada reunião.

Verifica-se, então, a dificuldade: centro grande - muitas pessoas, porém pouca atenção individual; centro pequeno - poucas pessoas, contudo boa atenção individual.

Analisando sob este aspecto, desconsiderando questões como administração, manutenção, etc., percebe-se que não existe uma situação ideal, todavia, deve-se trabalhar com as condições disponíveis.

Independentemente do tamanho de um centro, será necessário a formação de grupos de trabalho dedicados às diferentes tarefas, cujo número de participantes dependerá da dimensão do trabalho em si. Contudo, dentro destes grupos menores deverá ser praticado comportamento similar ao centro pequeno, isto é, fraternidade, acolhimento e atenção individual. Desta forma, os integrantes de cada grupo poderão exercitar o "amar ao próximo" para seu aprimoramento pessoal.

Apesar de tudo, os tarefeiros de um Centro Espírita são espíritos de nível evolutivo compatível com o mundo de expiações e provas. Isto significa que não se deve esperar uma superioridade e abnegação ainda não existente.

O centro que falhar numa abordagem fraterna, independente das dimensões fisicas, correrá grandes riscos ao insucesso na sua tarefa de abrandar corações ainda tão necessitados do amparo e conhecimento da realidade espiritual do ser.





O TRÍPLICE ASPECTO


14/04/2008

Muito se fala sobre o tríplice aspecto da Doutrina: ciência, filosofia e religião. Porém, na Codificação, mais precisamente no item VII, primeiro parágrafo do capítulo intitulado “Conclusão” de O Livro dos Espíritos, o tríplice aspecto é apresentado de forma bem diferente:

O Espiritismo se apresenta sob três aspectos diferentes: o das manifestações, o dos princípios e da filosofia que delas decorrem e o da aplicação desses princípios.

Alguns acreditam que o próprio Kardec afirmou sobre o caráter religioso da Doutrina em discurso proferido no dia 1 de novembro de 1868 na Sociedade de Paris e que foi transcrito na Revista Espírita de dezembro de 1868:

Se assim é, dir-se-á, o Espiritismo é, pois, uma religião? Pois bem, sim! sem dúvida, Senhores;

Contudo, quando se pretende estudar um texto qualquer, será sempre necessário uma avaliação completa de tudo o que foi dito para não incorrer no erro de tomar o todo por sua parte. Esta premissa é de fundamental importância em todos os estudos e, principalmente, no que concerne o Espiritismo.

Primeiramente é importante salientar toda a dissertação sobre o significado da palavra “religião” feita por Kardec antes da frase acima. Disse ele que o verdadeiro objetivo das assembléias religiosas deve ser a comunhão de pensamentos fazendo, inclusive, uma alusão a “religião política”, “religião da amizade” e “religião da família”. Percebe-se, então, a interpretação bastante ampla do Codificador com relação ao que considera religião. Assim sendo, na seqüência da afirmação em questão, completa dizendo que o Espiritismo é uma religião no sentido filosófico.

Kardec, sendo educador por excelência, não poderia deixar de completar sua idéia com relação à questão de tamanha importância, e prosseguiu:

Por que, pois, declaramos que o Espiritismo não é uma religião? Pela razão de que não há senão uma palavra para expressar duas idéias diferentes, e que, na opinião geral, a palavra religião é inseparável da de culto; que ela desperta exclusivamente uma idéia de forma, e que o Espiritismo não a tem. Se o Espiritismo se dissesse religião, o público não veria nele senão uma nova edição, uma variante, querendo-se, dos princípios absolutos em matéria de fé; uma casta sacerdotal com um cortejo de hierarquias, de cerimônias e de privilégios; não o separaria das idéias de misticismo, e dos abusos contra os quais a opinião freqüentemente é levantada.

O Espiritismo, não tendo nenhum dos caracteres de uma religião, na acepção usual da palavra, não se poderia, nem deveria se ornar de um título sobre o valor do qual, inevitavelmente, seria desprezado; eis porque ele se diz simplesmente: doutrina filosófica e moral.
(grifo nosso)

Acreditamos que Kardec não poderia ter sido mais claro na sua colocação.

Observamos que algumas idéias equivocadas são perpetradas no meio espírita sem que sejam questionadas e, com o passar do tempo, são consideradas como verdades absolutas. Desta forma nascem os dogmas.

Pode parecer um simples detalhe, mas, na condição de espíritos imortais, com inúmeras vivências quando a religião era uma “espada sobre a cabeça”, acabamos por aceitar que comportamentos de então sejam aplicados, acreditando em várias práticas e informação que não foram trazidas pelos espíritos responsáveis pela Codificação nem nas obras de espíritos como André Luiz e Joanna de Ângelis, por exemplo.

Talvez este discurso seja um alerta para não transformarmos o Espiritismo no que a Doutrina não é.

Vale, então, lembrar o ensinamento do Espírito de Verdade: Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo...



Leia o discurso de Kardec na íntegra (Revista Espírita - dezembro de 1868).





A HUMANIDADE E A RELIGIÃO


01/05/2008

Carl G. Jung compara a psique humana com uma ilha cercada pelo oceano. A ilha representaria o consciente, enquanto que o oceano representaria o inconsciente. Deste ponto de vista, pode-se perceber que somos muito mais inconsciente do que consciente, assim, conclui-se que muito pouco sabemos a nosso próprio respeito. Ainda sob a visão de Jung, o inconsciente seria subdivido em “pessoal” e “coletivo”.

O inconsciente pessoal seria a região da psique em que seriam armazenados os acontecimentos que não são registrados pelo consciente, e se localizaria logo abaixo deste.

A idéia de um inconsciente coletivo surgiu ao observar pacientes que apresentavam manifestações psíquicas correlacionadas com acontecimentos específicos ocorridos em épocas e locais diversos, na grande maioria das vezes, os fatos que reportavam estavam além do conhecimento do indivíduo em questão. Tais fenômenos, sob uma ótica não reencarnacionista, somente poderiam gerar a idéia de que, de alguma forma, a informação sobre todas as ocorrências da humanidade, em todos os tempos, deveria permanecer disponível em um local qualquer, sendo possível de ser acessado quando em alguns estados da consciência.

Joanna de Ângelis nos informa, reconhecendo o grande legado deixado por Jung, que o denominado “inconsciente coletivo” seria o acervo conquistado ao longo de sua existência como espírito imortal que é, armazenando em seu arquivo extra-cerebral, isto é, nos fulcros energéticos do espírito.

Sob este prisma, é possível de compreender que o ser humano possui inerentemente a idéia da existência de algo além do mundo material ao qual se tem um contato mais imediato, enquanto em estado de vigília, e que, pelos mecanismos da mente, são registrados no consciente e, por isso, de mais fácil percepção.

Portanto, desde tempos imemoriais que a humanidade procura estabelecer procedimentos religiosos. Estes procedimentos consistem, na grande maioria das vezes, de rituais para satisfazer as necessidades do consciente, que precisa ser sensibilizado através da matéria, e de dogmas para tentar satisfazer, mesmo que precariamente, a necessidade de explicações por parte do inconsciente.

Nos séculos XVII e XVIII, no mundo ocidental, houve um crescimento do culto da razão em detrimento do culto da religião. Talvez tal comportamento seja decorrente da inabilidade das religiões vigentes na época de responderem ou saciarem as necessidades de um inconsciente que, embora permaneça sem ser visto, age sobre o indivíduo. Tal acontecimento pode ter gerado o atual preconceito de considerar a psique como produtos ilusórios e, por isso, não necessitando de dedicação. Tal posicionamento leva a muitos pais crerem que apenas a satisfação das necessidades materiais de seus filhos seja suficiente para que cresçam saudavelmente, o que, infelizmente, é o responsável por tantos desatinos atuais.

A Doutrina Espírita veio mostrar que, em se tratando de assuntos relativos ao espírito, não existe a necessidade de rituais, além de apresentar explicações claras para as questões espirituais, suprimindo a necessidade de dogmas.

Esclarece, ainda, que a perfeição é a única fatalidade a que o indivíduo está sujeito, assim, os desajustes e faltas deverão ser reparados para que o espírito possa atingir estados mais elevados, se expurgando das tendências mais primitivas, para alcançar a felicidade. Tudo isto foi dito por Jesus a mais de dois mil anos e nos é de tão difícil compreensão.

Nos últimos anos é possível verificar que está ocorrendo uma transformação na mentalidade humana. A busca por conhecimentos que transcendem o cotidiano vem crescendo gradativamente, o que pode ser facilmente verificado pelo crescimento da seção de livros religiosos e de auto-ajuda nas livrarias e pela freqüência cada vez maior nos templos religiosos.

Apesar disso, ainda impera um frenesi descabido por saciar o que se acredita ser necessidades materiais e gozos dos mais variados matizes, causando desarmonias para o espírito, acumulando desequilíbrios que, cedo ou tarde, deverão ser sanados.

Vivemos momentos difíceis, quando a incoerência de atos e de pensamentos oriunda de mentes em desalinho tenta frear a transformação, mas aqueles que já possuem o discernimento e que sentem a existência de Deus velando por todos, devem permanecer firmes em seus propósitos de transformação para, gradativamente, através do exemplo, influenciar beneficamente aqueles que estejam em volta.

Nos momentos mais difíceis, lembremos sempre de Jesus, que disse: “Vinde a mim, todos vós que estais aflitos e sobrecarregados, que eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei comigo que sou brando e humilde de coração e achareis repouso para vossas almas, pois é suave o meu jugo e leve o meu fardo” (MATEUS, cap. XI, vv. 28 a 30.).





ESPIRITISMO E JUNG


12/05/2008

Citações de Jung

“O Espiritismo enquanto fenômeno coletivo persegue, portanto, os mesmos fins que a Psicologia médica, e, deste modo, produz, como bem indicam suas manifestações mais recentes, as mesmas idéias básicas – ainda que sob o rótulo de ‘ensinamentos dos espíritos’ – que são características da natureza do inconsciente.”

"Observei, repetidamente, os efeitos telepáticos de complexos inconscientes, e também uma série de fenômenos parapsicológicos. Mas não posso ver em tudo isto uma prova da existência de espíritos reais; e até que surja uma prova irrefutável, devemos considerar o domínio destes fenômenos como um capítulo à parte da Psicologia."

"Após haver recolhido experiências psicológicas de muitas pessoas e de muitos países, durante meio século, já não me sinto tão seguro como no ano de 1919, quando escrevi esta afirmação. Muitas vezes não me acanho de confessar que duvido de que uma abordagem e análise exclusivamente psicológicas façam justiça aos fenômenos em questão."

Livro: A Natureza da Psique – pg. 257



“Em sua compreensão mais profunda, a Psicologia é autoconhecimento.”

“Temos motivos suficientes para admitir que o homem em geral tem uma profunda aversão ao conhecer alguma coisa a mais sobre si mesmo, e que é aí que se encontra a verdadeira causa de não haver avanço e melhoramento interior, ao contrário do progresso exterior.”

“...a questão universal: De que maneira podemos confrontar-nos com o inconsciente. Esta é a questão colocada ... de modo particular pelo Budismo... Indiretamente é a questão fundamental na prática de todas as religiões.”

Livro: A Função Transcendente - Prefácio



O espírito Joanna de Ângelis, no livro Triunfo Pessoal - psicografia de Divaldo Franco, analisa o comportamento humano à luz da teoria junguiana, tecendo comentários e fazendo ajustes sob a ótica espírita, demonstrando a clareza de idéias de Jung com relação aos processos que envolvem o ser humano como ser essencialmente espiritual. A lucidez de Jung é facilmente verificado através dos seguimentos de texto apresentados anteriormente.

A psicologia junguiana é uma ponte entre a ciência acadêmica e a ciência espírita que não deve, em hipótese alguma, ser ignorada pelos espíritas. Contudo, seus conceitos devem ser empregados da forma mais correta possível para não criar o estigma de que idéias científicas são adulteradas para acomodar idéias outras, correndo o risco de qualquer apresentação bem estruturada cair em descrédito preconcebido.

A clareza e a precisão nas colocações e estudos relacionados com o Espiritismo devem sempre ser as melhores possíveis. Portanto, divulgadores e estudiosos devem se aprimorar continuamente para evitar a circulação de idéias equivocadas, causando confusão entre aqueles com menos conhecimento e descrédito entre aqueloutros com um pouco mais de conhecimento.

A responsabilidade é grande na seara espírita e devemos cumprir o nosso dever de forma adequada.





GEDE


28/05/2008

O Grupo de Estudos da Doutrina Espírita foi formado em 16 de abril de 2008 com a finalidade de aprofundar a compreensão sobre questões relativas a Doutrina Espírita. em reuniões semanais.

A idéia de formação do grupo partiu de uma conversa entre dois dos atuais integrantes. Ambos sentiam que muitos conceitos em uso pelos divulgadores da Doutrina poderiam ser melhor estudados e, com isso, melhor explicados para o público leigo, facilitando tanto o trabalho de divulgação quanto o de entendimento.

Como a intenção dos integrantes do grupo não é o aprimoramente]o pessoal apenas, foi elaborado uma site para que os resultados dos estudos e discussões decorrentes pudessem estar disponível a todos. Pretende-se, então, postar o máximo possível do que for elaborado.

No site consta, ainda, uma blog pessoal de cada integrante, um espaço em que possam apresentar suas idéias pessoais.

O GEDE convida a todos que visitem o site: http://grupo.gede.vilabol.com.br








QUANDO NOS DESVIAMOS DA LEI DE DEUS...


18/06/2008

No meio espírita é comum ouvirmos muitos divulgadores da Doutrina Espírita afirmarem certas coisas, tais como:

“O sofrimento é decorrente de nos afastarmos da Lei de Deus”;
“A Lei de Deus é a lei de amor, portanto estamos em conformidade com a Lei quando vibramos no amor”;
“Quando nos afastamos da Lei de Deus nos ligamos com espíritos menos evoluídos”.


Creio, contudo, que uma pergunta fundamental fica sem ser formulada e, conseqüentemente, sem ser respondida: Qual ou de quem é a lei que passamos a seguir quando nos desviamos da Lei de Deus?

É possível, ainda, formular outras questões: Existe outro “ser” ou “seres” que elaboram? São todos equivalentes a Deus? Quem ou o que seriam? Se a Lei de Deus é a lei de amor, estas outras leis são de que tipo? Quando me desvio da Sua Lei, Ele me abandona?

Percebe-se o engano que cometemos quando pronunciamos certas assertivas, especialmente quando estamos falando para um grupo de pessoas. O discernimento ainda é fundamental, ainda mais quando o assunto versa sobre o Espiritismo que prega a fé raciocinada enquanto muitos falam sem analisar o que dizem.

Se Deus é único, então somente pode haver uma Lei de Deus e que, por ser de origem divina, deverá contemplar todas as condições evolutivas dos espíritos, seus filhos. Deus, sendo a inteligência suprema e bondade absoluta deveria saber previamente os equívocos que seus “filhos” podem cometer, se até os pais biológicos tentar orientar e educar seus filhos, pois sabem das possibilidades de enganos, imagina Deus.

Por “Lei de Amor” deve-se entender o amor de Deus para com seus filhos que, sendo imenso, educa e orienta por saber dos possíveis enganos que poderão fazer. Portanto, não é punitiva, mas educativa. Não é preciso sofre para reparar faltas, mas compreender quando se comete uma falta para com os semelhantes, sem privilégios ou regalias por se considerar melhor perante os “olhos” de Deus.

Como imaginar um Deus mais imperfeito que pais comuns da Terra que não abandonam seus filhos nem quando erram (salvo exceções)?

Portanto, conclui-se que ninguém se afasta da Lei de Deus por ser única e estarmos imersos Nela. Afinal, como consta na questão 621 de O Livro dos Espíritos: Onde está escrita a lei de Deus? “Na consciência”. A Lei, devido a sua origem Divina, é perfeita. Os enganos que cometemos para explica-las é decorrente de tentarmos analisar Deus sob a nossa ótica humana.





A BUSCA NO ESPIRITISMO


06/07/2008

Não é necessária nenhuma pesquisa sofisticada para se constatar que a população está buscando uma forma de se espiritualizar. É claro que ainda existe uma procura frenética por preencher todo o tempo e espaço com assuntos materiais, porém, esta postura está lentamente, mas constantemente, cedendo lugar para questões transcendentes a vida cotidiana.

Este fato pode ser constatado por diferentes indicadores: a) Verifica-se que o afluxo de pessoas aos centros espíritas e templos religiosos aumenta a cada dia; b) Percorrendo as livrarias, pode-se observar o crescente número de títulos sobre as questões espirituais sendo apresentados nas vitrines e prateleiras; c) As questões da sobrevivência da alma após a morte do corpo físico e da mediunidade aparecem constantemente em telenovelas.

Francisco Candido Xavier, médium espírita, nascido em Uberaba – Minas Gerais, através de uma vida dedicada ao trabalho e divulgação do Espiritismo, foi protagonista, como intermediário entre o mundo espiritual e o material, na publicação de mais de 400 livros, todos voltados para o mesmo intento: pacificação e crescimento pessoal.

Podemos citar ainda Divaldo Franco, médium baiano que vem realizando um excelente trabalho no sentido de divulgação da Doutrina Espírita. São numerosos os livros psicografados e palestras, tanto dentro quanto fora do Brasil, primando pela pregação do equilíbrio mental e, conseqüentemente, a paz.

Apenas estes dois exemplos são mencionados, pois não podemos citar todos, mas a contribuição parte de inúmeros pontos, são divulgadores cuja dedicação e valoroso trabalho indica o caminho necessário para a transformação moral do planeta.

É imperioso ressaltar que a aceitação da informação, por mais clara e necessária que seja, somente ocorre quando aqueles que as ouvem estão preparados. Como nos informa o Espírito de Verdade, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, “são chegados os tempos em que todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadeiro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos e glorificar os justos”.

A visão do mundo e, conseqüentemente, do indivíduo, necessita ser conduzida por um novo paradigma. Nesta visão, é preciso considerar o espírito imortal como protagonista, só que não estamos falando de telenovela, mas como protagonista da História da humanidade, responsável pelo bem estar de todos os seres viventes, seja encarnado ou não, vegetal ou animal. Quando nos conscientizarmos de que somo responsáveis pelo bem estar alheio, forçosamente respeitaremos a Natureza em toda sua grandiosidade e assumiremos nossa condição de co-criadores com Deus. A fraternidade e a paz, por fim, reinarão na Terra.





JUSTIÇA E INJUSTIÇA


18/07/2008

Em certo diálogo entre o filósofo grego Sócrates e alguns amigos, o assunto versava sobre a justiça e a injustiça.

Glauco, um dos integrantes do grupo com quem o debate transcorria, instigava Sócrates a discorrer sobre o assunto de seu interesse, a justiça e a injustiça, visando compreender certos conceitos que, a seu ver, estariam errados e não conseguia, por si só, alcançar o entendimento necessário para que estivesse em condições de nortear seu comportamento corretamente.

Em suas colocações sobre o assunto, Glauco enumerou suas idéias em três itens:

1) Natureza e origem da justiça;
2) Opção pela justiça;
3) Razão para se agir injustamente.

Segundo Glauco, a justiça tem a sua origem no simples fato de que agir injustamente causa malefícios para os outros. Esta premissa é facilmente compreensível e aceitável, inclusive, seria a primeira idéia que viria a mente quando se analisa tal questão.

Todavia, continuando a analise da afirmativa apresentada, a questão que surge a mente é: Por que, então, existe tanta injustiça no mundo? Este entendimento se torna possível com o restante do discurso de Glauco sobre o tema.

Diz ele que a motivação para a aplicação da justiça não se encontra no desejo de não infligir sofrimento a outrem, mas não sofrer o mal causado por uma injustiça sofrida. Isto é, há mais mal em sofrer a injustiça do que bem em cometê-la. A justiça seria, então, proveniente do desejo de não sofrer injustiças e que sua aplicação é devido única e exclusivamente à incapacidade de vingança. Aquele, portanto, que estiver em condições de cometer a injustiça impunemente jamais se privará de cometê-la.

Apesar desta idéia ter sido exposta há mais de 2000 anos, continua sendo atual, pois muitos daqueles que não estão sujeitos às repreensões de qualquer espécie, conduzirem suas vidas independentemente de como seus atos são considerados. Esta é, na realidade, um problema gerado pela impunidade.

O ser humano, de uma forma geral, ainda precisa de rédeas para agir convenientemente. Quando o indivíduo percebe que não sofrerá as conseqüências de ações perniciosas, se sentirá livre para continuar agindo como bem entender, desconsiderando qualquer outro que esteja sendo prejudicado com seus atos.

Um fato curioso, que poderia até ser hilário se não fosse deprimente, é que, muitas vezes, não conseguem nem perceber o quanto eles próprios estão sendo prejudicados. Estas situações ocorrem quando o individuo é levado a acreditar que deve seguir o comportamento da moda, freqüentando certos locais e consumindo produtos que não sejam saudáveis e que, apesar de tudo, considera indispensável "fazer parte", não importa de que natureza seja.

De tempos em tempos surge algum tipo de droga que, por algum motivo, passa ser considerada como necessária para "aproveitar a vida". Com isso, adultos e adolescentes ingerem estes produtos juntamente com outros agentes, que pode ser bebida alcoólica ou, até mesmo, outra droga para potencializar a primeira.

Usando um mínimo de bom senso, é possível reconhecer que, se para haver diversão em determinado local for necessária a ingestão de estimulantes, talvez seja preferível buscar locais ou atividades que por si só sejam suficientes para satisfazer as necessidades pessoais.

Intrinsecamente o ser humano possui o discernimento, consegue reconhecer o que deveria e o que não deveria fazer, porém, não tem forças suficientes para sobrepujar a onda avassaladora do culto à personalidade, do "ter" em detrimento do "ser". Nesta ilusão, conduz sua existência sem pensar no que faz.

Seria necessário analisar cada um destes comportamentos que se tornam hábitos. Será que aqueles que se beneficiam financeiramente também praticam ou estimulam seus entes queridos, filhos e filhas, a agirem da mesma forma ou consumirem o mesmo produto? Talvez não.





DÚVIDA


03/09/2008

Quando em momentos de dúvida, ergue a cabeça e direciona o pensamento para o grande mestre de todos nós: Jesus.

Vivendo ainda em estágios iniciais da evolução espiritual, o ser tende a se confundir com os seus próprios pensamentos. Imagine, então, quando sujeitos a influenciação de todos os seres que o rodeiam?

A dúvida é decorrente da ignorância, quando ela, a dúvida, começa a incomodar significa que o indivíduo já busca a compreensão de coisas que estão um pouco além da sua capacidade de percepção.

O exercício mental o conduzirá às respostas. Portanto, não se deve esmorecer.

Buscar, estudar e pensar são as ferramentas que aprimoram a mente.

Em geral, as dúvidas somente são minimizadas em estágios mais elevados da Criação.

Quando umas são sanadas, outras surgirão.

Medite e pense.

Muita Paz,

John (Espírito)



Mensagem psicografada em 08/08/05





A AVENTURA DA EXISTÊNCIA


17/09/2008

A aventura da existência consiste em vivenciar as alegrias e tristezas com a mente sempre voltada para um ideal maior.

Aquele que permanece preocupado com questões de somenos importância sem depender algum tempo para questões outras necessárias para o ser espiritual é um forte candidato as mais diversas dores durante o período de pós-morte física.

É imprescindível a dedicação ao estudo de ordem espiritual.

Analisando o arcabouço mental de um e de outro, isto é, daquele que mantém dedicação ao espírito e daqueloutro que não se dedica, é possível perceber diferenças colossais.

A mente harmonizada, apresentando um fluxo de energia constante e laminar, é capaz de permanecer sem alterações bruscas durante largo período de tempo. Desta forma o funcionamento mental é suave, sem sobressaltos.

A energia originária dos processos mentais são de elevado teor, mais energéticos, por este motivo, menos suscetível de sofrer interferência de ondas mentias desajustadas emitidas por aqueles que se encontram ao seu entorno.

A falta de variação brusca evita o aparecimento de uma força (corrente mental) contrária à variação cuja finalidade é evitar esta mesma variação. Os danos causados por este processo pode ser comparado a um centelhamento de energia dentro da mente do indivíduo.

Importante ressaltar que a harmonia interior por si só já é fator preponderante para emissões de alto teor, independente do estado evolutivo que o indivíduo se encontre.

Assim sendo, não é necessário ser espírito elevado, mas cônscio de seu estado, capaz de agir naturalmente diante das venturas e desventuras.

Em outras palavras, a paz de espírito pode ser atingida por qualquer um, basta o exercício constante para controlar as viciações ainda tão naturais em nosso mundo.

Muita Paz,

John (Espírito)

Mensagem psicografada em 12/09/2005





ESPIRITISMO É RELIGIÃO?


01/10/2008

Esta pergunta, de uma forma geral, causa um grande desconforto entre os espíritas.

O tríplice aspecto da Doutrina é cercado de algumas idéias preconcebidas que, quando questionadas, a reação é semelhante aquelas de adeptos de outras vertentes religiosas com relação aos seus dogmas - material inquestionável.

A questão de ser ciência e filosofia são pontos que, a princípio, não tem muito o que discutir, pois o próprio Kardec coloca desta forma, como consta no LE (manifestações e seus princípios pode-se chamar de ciência e a filosofia decorrente é filosofia). Questionável é o ponto da religião.

O estudo desenvolvido pelo GEDE (http://grupo.gede.vilabol.com.br) e apresentado em seminário no dia 28/09/08, visou uma melhor compreenção do discurso de Kardec com relação ao tema (ver texto "O Tríplice Aspecto" no link "Leia outros textos" abaixo). Assim, fica claro que, sob certos aspectos pode-se considerar de uma forma e, sob outros aspectos, de outra forma.

A idéia de ser ou não religião é muito discutida no meio espírita. Os centros do Rio de Janeiro, em geral, são da idéia de religião. Em outros estados já existem maiores controvérsias. O ponto principal é que todos tendem a ser passionais com relação a esta questão, inviabilizando uma troca harmoniosa de informação, pois um critica o outro (Podem imaginar espíritas criticando aqueles que não pensam iguais, chegando a hostilizar?).

Se todos nós seguíssemos a indicação de Kardec teríamos condições de perceber que cada um está certo em sua forma de pensar e a troca seria mais proveitosa. Não sendo tão radicais o entendimento geral seria melhorado consideravelmente.

Sempre vale lembrar que o primeiro mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas; e o segundo é amar ao próximo como a si mesmo - mesmo que este próximo pense diferente.

Resta a pergunta: Quem definiu o tríplice aspecto como ciência, filosofia e religião?





ALGUMAS CONSIDERAÇÕES


06/11/2008

No estudo sobre o texto Evolução do Espírito e Estrutura Psíquica no GEDE chegou-se a algumas conclusões interessantes:

1) O que consideramos como “realidade” é fruto de processos mentais, portanto não tem uma existência intrínseca;

2) A verdadeira “realidade” seria a finalidade da Criação por ter uma existência intrínseca, ainda inalcançável para nós, por possuir uma existência intrínseca.

3) A finalidade da Criação pode ser considerada como tendo uma existência intrínseca pelo motivo de Deus ser imutável e eterno. A forma mais correta seria pseudo-intrínseca.

4) O espírito, como estrutura, faz parte da finalidade da Criação, portanto, tem uma existência intrínseca.

5) O espírito, como estrutura, é perfeito.

6) O espírito, como conteúdo, não é perfeito, mas evolui.





O PERDÃO


20/11/2008

Pergunta: Por que ainda é tão difícil para a humanidade perdoar as faltas alheias?

Resposta: Porque o perdão não é um sentimento natural ao espírito.

Alguns pontos:

- Deus não perdoa;
- Jesus não perdoa;
- Espíritos elevados não perdoam.

Pergunta: Então por que precisamos exercitar o perdão?

Resposta: Talvez por não conseguirmos fazer o que precisa ser feito: Amar ao próximo como a nós mesmos.

Analisando dois ensinamentos de Jesus é possível perceber que há um conflito entre eles, que são (ESE, cap. X):

1) Quando Pedro pergunta se deveria perdoar até sete vezes aquele que lhe causou algum dano, então Jesus respondeu que deveria perdoar não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes – que significa perdoar todas as vezes.

2) Não julgar para não ser julgado.

Todas as vezes que alguém perdoa outra pessoa é porque, em um primeiro momento, a julgou e a considerou culpada, por isso a necessidade do perdão. Nesta linha de raciocínio, o perdão estaria atrelado a um julgamento.

Se não se deve julgar, também não se deve perdoar pelo simples fato de não haver a necessidade do perdão já que não houve a ofensa em primeiro lugar. Deus, Jesus e espíritos elevados nunca se sentem ofendidos, portanto não precisam perdoar.

Desta forma, não devemos exercitar o perdão, mas o não julgar. A necessidade do perdão só existirá enquanto julgarmos o próximo.

É importante ter sempre em mente que precisamos avaliar os atos para sabermos se nos convém ou não, repetimos os que consideramos sadios e repudiamos os que forem considerados nocivos. Porém, não julgar aquele que o cometeu.





OS CAMINHOS DO ESPIRITISMO


07/12/2008

A revista Galileu de dezembro de 2008 traz uma reportagem que mostra uma tendência para o Espiritismo, que é deixar de ser Espiritismo para ser outra coisa qualquer, uma mistura de crenças e práticas com designação equivocada.

Esta reportagem deve soar como um alarme e devemos nos perguntar o porquê disto estar ocorrendo. Se nos questionarmos o motivo pelo qual as pessoas, muitos adeptos do Espiritismo, estar buscando uma mescla de crenças e práticas, talvez a resposta seja que os centros espíritas não estão proporcionando material adequado para aqueles que buscam um significado e entendimento para as questões relacionadas com suas vidas.

Percebemos que alguns centros tentam frear esta onda de forma mais equivocada ainda: negando o estudo aprofundado baseado nos conceitos mais amplos, como os da ciência acadêmica, por exemplo, esquecendo-se que os ensinos trazidos pelos espíritos farão parte desta mesma ciência.

Terminologias arcaicas ainda em uso demonstram os equívocos que permanecem. Como exemplo, pode-se citar o termo “magnetismo” e “magnetizadores” quando o mais adequado seria “fluido” e “médiuns doadores de fluidos”. O termo “magnetismo” era utilizado em época que não se tinha conhecimento completo dos fenômenos magnéticos e elétricos. Aqueles que não aceitam esta colocação deveriam responder para si mesmos algumas perguntas:

a) Qual a diferença entre “magnetismo animal” e “fluido animal”?

b) Qual a diferença entre “magnetizar a água” e “fluidificar a água”?

c) Qual a diferença entre “magnetizadores” e “doadores de fluido”?

Por que uma multiplicidade de termos para designar a mesma coisa? Por que complicar quando devemos simplificar uma Doutrina tão clara e esclarecedora?

Ao invés de simplesmente repudiar a cromoterapia nas casas espíritas, por exemplo, por que não explicar, em seus estudos, as propriedades da luz, ao invés de disseminar a idéia de que a luz branca “queima” o ectoplasma e por isso se usa a luz azul ou vermelha durante o passe?

Por que, em algumas casas espíritas, não se pode falar de conceitos trazidos por Jung ou estudos elaborados por filósofos ao longo da história? Alguns dizem que se deve ater ao Pentateuco Kardequiano, outros dizem que é “muito complexo para o entendimento”.

Em contrapartida, às vezes não se pode falar sobre o não corpo fluídico de Jesus quando está plenamente em acordo com a avaliação de Kardec sobre esta questão, apenas, ao que parece, por ser um tema nebuloso segundo a FEB ou segundo as idéias da FEB.

Com relação ao que a reportagem se refere como “Orientação ao Centro Espírita”, documento elaborado pela FEB, talvez o melhor remédio não seja dizer o que não se deve fazer, mas esclarecer sobre o que se deve fazer.

Na referida reportagem da revista Galileu, consta que o Reiki é uma “espécie de massagem energética” e que muitos vem buscando esta prática, o que não é aceita no meio espírita.

Nós espíritas devemos nos perguntar como não esperar esta tendência quando, nos centros espíritas, após as palestras públicas, passes são ministrados mesmo após ser dito que, durante estas mesmas palestras, os espíritos “cuidam” de todos ali presentes. Qual a utilidade do passe nestes casos? Por que disseminar uma necessidade para se estabelecer a harmonia pessoal quando sabemos que é o estudo que viabiliza esta harmonia? Por que não deixar os passes apenas para os trabalhos de cura, valorizando uma ferramenta tão poderosa?

Os freqüentadores dos centros se tornam “viciados” em passes e, como qualquer vício, necessitam, com o passar do tempo, de mais e mais. É comum ouvir, dentre os trabalhadores, afirmações do tipo “Estou precisando de um passe.”, mesmo após realizar um trabalho no centro. Esquecem-se de que o trabalho é para atingir a harmonia e a paz e o realizam apenas como se fosse uma obrigação para merecer “bônus hora”.

Não é trabalho de um centro espírita tentar manipular ou controlar informação para manter a pureza doutrinária, muito pelo contrário, é analisando profundamente cada questão e apresentando adequadamente que a pureza doutrinária surge naturalmente. Caso seja necessário, deve-se buscar o aprimoramento do divulgador espírita para expor corretamente e de forma clara os conceitos e idéias.

A Doutrina Espírita não necessita de defensor, mas de trabalhador.

Como leitura complementar ao entendimento da relação homem-religião, sugerimos alguns textos do site http://grupo.gede.vilabol.com.br:

1) Por que a idéia de religião ainda é tão forte?
http://grupo.gede.vilabol.uol.com.br/Estudo1/ideiadereligiao.pdf

2) Rituais e Práticas
http://grupo.gede.vilabol.uol.com.br/Estudo1/Rituaisepraticas.pdf

3) A Essência e a Forma como Elementos
http://grupo.gede.vilabol.uol.com.br/Estudo1/Essenciaeforma.pdf





ESPIRITISMO E NÓS


29/12/2008

“Penso, logo existo”; esta frase, dita pelo filósofo, matemático e cientista francês do século XVII, René Descartes, também conhecido como “o pai da filosofia moderna”, demonstra uma verdade fundamental para toda a humanidade: somos seres pensantes.

Como todo o corpo, que necessita ser exercitado para se manter em funcionamento, temos também o cérebro, como órgão que necessita exercício constante. Muitos podem até pensar que sabem pensar, como também pensam que sabem se exercitar.

Cada parte do corpo necessita de atividades especiais para se manterem em forma e não apenas o uso ordinário que fazemos de muitas destas partes, isto é, uma sub-utilização de máquina tão perfeita. A sub-utilização de qualquer equipamento leva a ferrugem e a máquina trava ou não funciona como deveria e é, então, necessário descartá-la.

Também é um erro a super-utilização, isto é, mau uso, desta mesma máquina, o que poderá causar uma fadiga prematura da matéria utilizada em sua construção, podendo acarretar uma ruptura em uma das partes e, com isso, sua inutilização precoce.

O cérebro, como qualquer órgão, precisa ser exercitado de maneira correta, pensamento folgais durante todo o tempo é sub-utilização enquanto que pensamento pernicioso é mau uso. Em ambos os casos a mente se entorpece.

Vemos, então, a importância do estudo em sua real amplitude de valores. Além de proporcionar maior conhecimento e, com isso, melhor entendimento da vida e do mundo, trazendo, com isso, maior tranqüilidade. O ser humano tem uma grande relutância ao desconhecido, que assusta e, quanto mais sabemos, menos desconhecemos embora, paradoxalmente, quanto mais se sabe mais se tem à noção do quanto desconhece. Através do estudo é que o espírito evolui tanto intelectual quanto moralmente.

Vejamos, agora, a participação do Espiritismo.

Em uma análise rápida poder-se-ia dizer que nas quatro primeiras obras da codificação, Kardec nos traz muita informação, é até surpreendente como foi possível colocar tamanha quantidade de informação em apenas quatro livros, sem mencionar que cada informação é analisada com esmero, e, no último livro, Kardec nos ensina a pensar...

Primeiramente, analisemos a participação ostensiva dos Espíritos nas quatro primeiras obras, o seu conteúdo mostra claramente que toda aquela informação somente poderia vir de seres desencarnados, nos ensinando muita coisa sobre as relações entre os dois mundos, o mundo material e o mundo espiritual, tudo acompanhado da análise tanto de seres extra-corpóreos quanto do próprio Kardec.

No quinto e último livro, a participação dos Espíritos não é tão ostensiva, não queremos, com isso, inferir uma ausência dessa espiritualidade, não seria possível conceber a falange responsável pela codificação não estar presente até o fim, tal pensamento seria pueril e ingênuo.

A concepção de uma doutrina nos moldes do Espiritismo, considerada a terceira revelação, deve nortear seus seguidores e adeptos em todos os campos e estágios da vida.

Quando o assunto é uma doutrina filosófica comportamental, cuja finalidade é nortear as atitudes das pessoas em geral, a tendência imposta por um único indivíduo, poderá levar a danos catastróficos, principalmente quando a atuação ocorre no campo mental.

Este é um dos motivos pelo qual Kardec buscou compilar a doutrina recolhendo informações de vários espíritos para, desta forma, anular o personalismo imposto, mesmo que inconscientemente, por cada um. É importante lembrar que, na codificação, participaram espíritos de vários níveis evolutivos, não apenas os mais evolvidos.

O pensamento incoerente de que o nada nos espera logo adiante, faz com que tentemos fugir da realidade para aguardarmos esse “nada”. Quando esta idéia domina a mente por completo, o espírito busca sua “liberdade” no ato mais covarde, na culminância do desespero, o suicídio. Ao acordar, no outro lado, o desespero é aumentado em dez, cem, mil vezes quando se depara com a vida, a vida imortal do espírito.

A idéia da individualidade é fundamental para que se valorize a existência, sabendo que todos os atos sempre estarão ligados a um ser individual, que será sempre o responsável, com isso, fica mais fácil controlar nossos impulsos assim como também se torna mais fácil o perdão, pois saberemos que aquele que comete atos perniciosos deverá sempre arcar com as suas conseqüências.

Portanto, analisando o conhecimento viabilizado pelo Espiritismo, é possível compreender a sua fundamental importância em nossas vidas.